como atravesso a aridez
dos dias insulares das
horas
pantanosas
solo dos meus passos
insensatos
e construo meus poemas
imprevistos
como acolhe meus
rios nas margens me
conforta num corpo
imenso
como me salva
diariamente da morte
insone que me arrasta
nas encostas do
desespero
sonhos das minhas brumas
insalubres
Adair Carvalhais Júnior
quinta-feira, 7 de junho de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
biografia XXXIV – cidades
I.
na curva dos dias o rio
estendeu suas margens forjou
devagar seu leito
de areia e sombras
moveu encostas carregou
pedras contornou
a montanha sem jamais
afrontá la
solos arruinados enseadas
aterradas sobre
as pontes a brutalidade
dos homens
e o rio das minhas lembranças
engoliu a cidade
e suas imundícies
num dia de chuva
II.
sob as janelas
sinuosas rios e córregos penetram
na noite
casas pequenas espiam
as margens abrigos
mornos nas perdidas
distâncias
homens e mulheres aninham se
na sombra perene
da montanha
mineral
que se estende inteira
no horizonte
III.
rasgadas na poeira ruas
e avenidas sufocam
rios e córregos
casas trepam nos morros
vales se entopem de
lixo esquinas
abandonadas
a montanha exportada
em pedaços um horizonte
inteiro desfigurado
furiosa a chuva continua
engolindo a cidade
Adair Carvalhais Júnior
na curva dos dias o rio
estendeu suas margens forjou
devagar seu leito
de areia e sombras
moveu encostas carregou
pedras contornou
a montanha sem jamais
afrontá la
solos arruinados enseadas
aterradas sobre
as pontes a brutalidade
dos homens
e o rio das minhas lembranças
engoliu a cidade
e suas imundícies
num dia de chuva
II.
sob as janelas
sinuosas rios e córregos penetram
na noite
casas pequenas espiam
as margens abrigos
mornos nas perdidas
distâncias
homens e mulheres aninham se
na sombra perene
da montanha
mineral
que se estende inteira
no horizonte
III.
rasgadas na poeira ruas
e avenidas sufocam
rios e córregos
casas trepam nos morros
vales se entopem de
lixo esquinas
abandonadas
a montanha exportada
em pedaços um horizonte
inteiro desfigurado
furiosa a chuva continua
engolindo a cidade
Adair Carvalhais Júnior
sábado, 20 de novembro de 2010
biografia XI - raízes
eu trouxe até aqui
o rio que rompia as margens
lamacentas
os restos de cada lua
e das noites
envelhecidas
os corpos escuros
de meus avós a poeira
presa aos meus hesitantes
passos
trouxe até aqui
os olhos azuis de meu pai
a angústia de minha mãe
meu corpo envelhecido
hoje eu trouxe a finitude
do meu olhar
a montanha desfigurada
o aconchego dos filhos
sob as cobertas
e a poesia vã
das manhãs envelhecidas
Adair Carvalhais Júnior
domingo, 7 de novembro de 2010
biografia XXII - filhos
o velho fusca levava
estradas e estradas afora o odor
branco das flores
do limoeiro
ia e vinha a poeira
dos dias cansados
o rio velho levava
encostas e encostas afora
as folhas leves
das castanheiras
a sombra verde
das castanheiras
as árvores velhas
levavam os sonhos
ventos e ventos
afora
as estradas poeirentas
onde meus irmãos viajavam
no quintal da casa
a velha montanha
contava histórias
do mundo inteiro
Adair Carvalhais Júnior
terça-feira, 12 de outubro de 2010
biografia XX – órfãos
meu pai ensinou as profundidades
dos rios suas altas
margens
minha mãe o nome da
solidão seu cheiro
entranhado no corpo
a lonjura das estradas
poeirentas um mundo
de ausências
as âncoras e os modos
de se entrelaçarem as
mãos ainda
procuro
Poema: Adair Carvalhais Júnior
Foto: Lúcia Araújo
dos rios suas altas
margens
minha mãe o nome da
solidão seu cheiro
entranhado no corpo
a lonjura das estradas
poeirentas um mundo
de ausências
as âncoras e os modos
de se entrelaçarem as
mãos ainda
procuro
Poema: Adair Carvalhais Júnior
Foto: Lúcia Araújo
quinta-feira, 24 de junho de 2010
biografia V - comum
o mundo no poema se sonha completo
Ferreira Gullar
cercam me esquinas
esquivas corpos
abatidos dobrando se sobre si
mesmos penumbra cerrada nas
janelas passos curtos sobre as
calçadas
raros horizontes arruínam se nos
olhos sitiados poemas dissipam
se silêncios derramam uma
aurora pálida arranca se da vasta
indigência
há muito me
exilei
Adair Carvalhais Júnior
Ferreira Gullar
cercam me esquinas
esquivas corpos
abatidos dobrando se sobre si
mesmos penumbra cerrada nas
janelas passos curtos sobre as
calçadas
raros horizontes arruínam se nos
olhos sitiados poemas dissipam
se silêncios derramam uma
aurora pálida arranca se da vasta
indigência
há muito me
exilei
Adair Carvalhais Júnior
sexta-feira, 30 de abril de 2010
biografia XXXIII - maduro
oferecer às mãos dos
meninos todos
fios grisalhos harmonizar
os passos ao
pendor da
terra
acolher o pai que tropeça
atrás e jamais se
esquece as sombras
que exalam os
frutos límpidos das
fontes
cada passo uma
viagem completa um
perene
amanhecer
Adair Carvalhais Júnior
meninos todos
fios grisalhos harmonizar
os passos ao
pendor da
terra
acolher o pai que tropeça
atrás e jamais se
esquece as sombras
que exalam os
frutos límpidos das
fontes
cada passo uma
viagem completa um
perene
amanhecer
Adair Carvalhais Júnior
segunda-feira, 26 de abril de 2010
biografia XXI – angústia
quando nasci pássaros
atordoados afogavam se no rio
doce a noite
fechava se sobre
todos nenhum
anjo se importou
meus livros desesperam se
na escuridão as 3
árvores que
plantei naufragam
no calor
enlouquecido
pedro e alice já não
dormem em casa em lugar
algum encontro o que
deixei na beira do
rio nem nos meus
cabelos brancos as flores
do limoeiro a
correria das crianças no
quintal da minha
infância
atordoados afogavam se no rio
doce a noite
fechava se sobre
todos nenhum
anjo se importou
meus livros desesperam se
na escuridão as 3
árvores que
plantei naufragam
no calor
enlouquecido
pedro e alice já não
dormem em casa em lugar
algum encontro o que
deixei na beira do
rio nem nos meus
cabelos brancos as flores
do limoeiro a
correria das crianças no
quintal da minha
infância
quarta-feira, 3 de março de 2010
biografia XXXII - paradeiro
meus semelhantes sucumbem
nas tardes suas
tristezas
cotidianas amontoam se
ao meu lado nas
mãos a pele manchada o
frio dos dias
irremediáveis
nos olhos o gosto
das noites mal
dormidas seus
vastas desertos despencam
sobre mim vergam
minhas
pernas
exaustas
a vida se desfazendo
Adair Carvalhais Júnior
nas tardes suas
tristezas
cotidianas amontoam se
ao meu lado nas
mãos a pele manchada o
frio dos dias
irremediáveis
nos olhos o gosto
das noites mal
dormidas seus
vastas desertos despencam
sobre mim vergam
minhas
pernas
exaustas
a vida se desfazendo
Adair Carvalhais Júnior
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
biografia XXXIX - velho
entranhar os pés na
terra irradiar
raízes saber se
árvore fundo
e lentamente
feito rochas
sábias permitir se
alicerces erguer
brandas
passagens
como águas
remotas brotar nas
rugas do solo insinuar se
orvalho nas casas nas
sombras nos
descampados
Adair Carvalhais Júnior
terra irradiar
raízes saber se
árvore fundo
e lentamente
feito rochas
sábias permitir se
alicerces erguer
brandas
passagens
como águas
remotas brotar nas
rugas do solo insinuar se
orvalho nas casas nas
sombras nos
descampados
Adair Carvalhais Júnior
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
biografia XXVIII- filhos
aos meus pés alice
devora os
devora os
dias amontoados em
livros
livros
seu sorriso me faz
persistir
de longe os pequenos
olhos de pedro espreitam
os
dias
dias
seu abraço me
refaz o mundo
a vida emana e se
enraiza
Adair Carvalhais Júnior
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
biografia XXXVIII - lar
o mar se movimenta
todo dentro
de mim toma meu
corpo alaga se nos
meus
vãos
acorda as velhas
amoreiras os cabelos
brancos de meus
avós as vozes
dos meninos nos
quintais
o rio dorme inteiro
nas minhas
planícies escorrega entre
meus dedos inunda
calmamente minhas
solidões
encontra o cheiro
morno das manhãs
de sol as pedras
esquecidas o
barro nos pés
descalços
mas não deságua
no mar
Adair Carvalhais Júnior
todo dentro
de mim toma meu
corpo alaga se nos
meus
vãos
acorda as velhas
amoreiras os cabelos
brancos de meus
avós as vozes
dos meninos nos
quintais
o rio dorme inteiro
nas minhas
planícies escorrega entre
meus dedos inunda
calmamente minhas
solidões
encontra o cheiro
morno das manhãs
de sol as pedras
esquecidas o
barro nos pés
descalços
mas não deságua
no mar
Adair Carvalhais Júnior
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
biografia XXXI - esperança
já morreram as duas
árvores que
plantei perderam se
no mundo os pequenos
poemas que
escrevi esvaziaram
se de mistérios as noites
de desamparo
o corpo magoa se com
o tempo nenhuma
chuva incomoda mais dói
olhar
prá frente
Adair Carvalhais Júnior
árvores que
plantei perderam se
no mundo os pequenos
poemas que
escrevi esvaziaram
se de mistérios as noites
de desamparo
o corpo magoa se com
o tempo nenhuma
chuva incomoda mais dói
olhar
prá frente
Adair Carvalhais Júnior
domingo, 17 de janeiro de 2010
biografia XXXIV - minas
caminhava entre
pedras recobria me de
montanhas branqueavam
meus cabelos enrugava
me a face profundos
vales
ansiava sertões dentro
de mim vertiam
cachoeiras inflamavam
meus olhos cresciam
vastas
angústias
a terra obra dentro
de
mim
Adair Carvalhais Júnior
pedras recobria me de
montanhas branqueavam
meus cabelos enrugava
me a face profundos
vales
ansiava sertões dentro
de mim vertiam
cachoeiras inflamavam
meus olhos cresciam
vastas
angústias
a terra obra dentro
de
mim
Adair Carvalhais Júnior
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
biografia XXXV - poesia
refazer toda a
humanidade em cada
verso inspirar infinitos
silêncios cada
sulco do mundo cobrir
de linguagem em
tudo tomar
parte
inaugurar a
terra dia
a dia respirar o
inatingível
a palavra
obra em
mim
Adair Carvalhais Júnior
humanidade em cada
verso inspirar infinitos
silêncios cada
sulco do mundo cobrir
de linguagem em
tudo tomar
parte
inaugurar a
terra dia
a dia respirar o
inatingível
a palavra
obra em
mim
Adair Carvalhais Júnior
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
biografia IV - impassível
um cheiro vermelho
nos pés e goiabas
apodrecendo no
quintal ainda
doce
o rio
atravessando a
janela e muitas
crianças
na rua
a poeira da
estrada nos
olhos de meu
pai minha
pequena solidão
o calor das paredes
remotas desarranjando
meus cabelos
brancos minha
frívola vaidade
a cidade enorme onde
procuro as
castanheiras
debruçadas nos
muros
longínquos
Adair Carvalhais Júnior
nos pés e goiabas
apodrecendo no
quintal ainda
doce
o rio
atravessando a
janela e muitas
crianças
na rua
a poeira da
estrada nos
olhos de meu
pai minha
pequena solidão
o calor das paredes
remotas desarranjando
meus cabelos
brancos minha
frívola vaidade
a cidade enorme onde
procuro as
castanheiras
debruçadas nos
muros
longínquos
Adair Carvalhais Júnior
domingo, 20 de dezembro de 2009
biografia XXXVII- infância
imersa nos
dias distante feito
oceano arraigada na
areia submersa
nela
mesma
alheia
transbordando dos olhos
forasteira
Adair Carvalhais Júnior
dias distante feito
oceano arraigada na
areia submersa
nela
mesma
alheia
transbordando dos olhos
forasteira
Adair Carvalhais Júnior
Marcadores:
biografia XXXVII- infância
biografia XXXVI- bh
a cidade crescia rápida
demais ao meu
redor onde agora minha
casa meu
cobertor
a cidade subia e
descia toda
hora uma ladeira onde
se escondia o
rio da
minha infância
e perseguia meu corpo
interiorano seus seios
adolescentes seus
quadris suas
praças sempre
vazias onde
murmurava a
poesia
Adair Carvalhais Júnior
demais ao meu
redor onde agora minha
casa meu
cobertor
a cidade subia e
descia toda
hora uma ladeira onde
se escondia o
rio da
minha infância
e perseguia meu corpo
interiorano seus seios
adolescentes seus
quadris suas
praças sempre
vazias onde
murmurava a
poesia
Adair Carvalhais Júnior
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
biografia III - rua
biografia III - rua
pique esconde
futebol
mãe da rua
carrinho de rolimã
bicicleta
primeiros beijos
a vida toda fora
de casa
Adair Carvalhais Júnior
pique esconde
futebol
mãe da rua
carrinho de rolimã
bicicleta
primeiros beijos
a vida toda fora
de casa
Adair Carvalhais Júnior
sábado, 5 de dezembro de 2009
biografia II - família
o velho fusca arrastou estrada
a fora minha
mãe meus
irmãos no
caminhão panelas
mamadeiras o
cachorro nosso
mundo inteiro
a casa confundiu se na
poeira
nunca mais senti o cheiro
branco do
limoeiro do
quintal
a fora minha
mãe meus
irmãos no
caminhão panelas
mamadeiras o
cachorro nosso
mundo inteiro
a casa confundiu se na
poeira
nunca mais senti o cheiro
branco do
limoeiro do
quintal
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