meus semelhantes sucumbem
nas tardes suas
tristezas
cotidianas amontoam se
ao meu lado nas
mãos a pele manchada o
frio dos dias
irremediáveis
nos olhos o gosto
das noites mal
dormidas seus
vastas desertos despencam
sobre mim vergam
minhas
pernas
exaustas
a vida se desfazendo
Adair Carvalhais Júnior
quarta-feira, 3 de março de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
biografia XXXIX - velho
entranhar os pés na
terra irradiar
raízes saber se
árvore fundo
e lentamente
feito rochas
sábias permitir se
alicerces erguer
brandas
passagens
como águas
remotas brotar nas
rugas do solo insinuar se
orvalho nas casas nas
sombras nos
descampados
Adair Carvalhais Júnior
terra irradiar
raízes saber se
árvore fundo
e lentamente
feito rochas
sábias permitir se
alicerces erguer
brandas
passagens
como águas
remotas brotar nas
rugas do solo insinuar se
orvalho nas casas nas
sombras nos
descampados
Adair Carvalhais Júnior
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
biografia XXVIII- filhos
aos meus pés alice
devora os
devora os
dias amontoados em
livros
livros
seu sorriso me faz
persistir
de longe os pequenos
olhos de pedro espreitam
os
dias
dias
seu abraço me
refaz o mundo
a vida emana e se
enraiza
Adair Carvalhais Júnior
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
biografia XXXVIII - lar
o mar se movimenta
todo dentro
de mim toma meu
corpo alaga se nos
meus
vãos
acorda as velhas
amoreiras os cabelos
brancos de meus
avós as vozes
dos meninos nos
quintais
o rio dorme inteiro
nas minhas
planícies escorrega entre
meus dedos inunda
calmamente minhas
solidões
encontra o cheiro
morno das manhãs
de sol as pedras
esquecidas o
barro nos pés
descalços
mas não deságua
no mar
Adair Carvalhais Júnior
todo dentro
de mim toma meu
corpo alaga se nos
meus
vãos
acorda as velhas
amoreiras os cabelos
brancos de meus
avós as vozes
dos meninos nos
quintais
o rio dorme inteiro
nas minhas
planícies escorrega entre
meus dedos inunda
calmamente minhas
solidões
encontra o cheiro
morno das manhãs
de sol as pedras
esquecidas o
barro nos pés
descalços
mas não deságua
no mar
Adair Carvalhais Júnior
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
biografia XXXI - esperança
já morreram as duas
árvores que
plantei perderam se
no mundo os pequenos
poemas que
escrevi esvaziaram
se de mistérios as noites
de desamparo
o corpo magoa se com
o tempo nenhuma
chuva incomoda mais dói
olhar
prá frente
Adair Carvalhais Júnior
árvores que
plantei perderam se
no mundo os pequenos
poemas que
escrevi esvaziaram
se de mistérios as noites
de desamparo
o corpo magoa se com
o tempo nenhuma
chuva incomoda mais dói
olhar
prá frente
Adair Carvalhais Júnior
domingo, 17 de janeiro de 2010
biografia XXXIV - minas
caminhava entre
pedras recobria me de
montanhas branqueavam
meus cabelos enrugava
me a face profundos
vales
ansiava sertões dentro
de mim vertiam
cachoeiras inflamavam
meus olhos cresciam
vastas
angústias
a terra obra dentro
de
mim
Adair Carvalhais Júnior
pedras recobria me de
montanhas branqueavam
meus cabelos enrugava
me a face profundos
vales
ansiava sertões dentro
de mim vertiam
cachoeiras inflamavam
meus olhos cresciam
vastas
angústias
a terra obra dentro
de
mim
Adair Carvalhais Júnior
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
biografia XXXV - poesia
refazer toda a
humanidade em cada
verso inspirar infinitos
silêncios cada
sulco do mundo cobrir
de linguagem em
tudo tomar
parte
inaugurar a
terra dia
a dia respirar o
inatingível
a palavra
obra em
mim
Adair Carvalhais Júnior
humanidade em cada
verso inspirar infinitos
silêncios cada
sulco do mundo cobrir
de linguagem em
tudo tomar
parte
inaugurar a
terra dia
a dia respirar o
inatingível
a palavra
obra em
mim
Adair Carvalhais Júnior
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
biografia IV - impassível
um cheiro vermelho
nos pés e goiabas
apodrecendo no
quintal ainda
doce
o rio
atravessando a
janela e muitas
crianças
na rua
a poeira da
estrada nos
olhos de meu
pai minha
pequena solidão
o calor das paredes
remotas desarranjando
meus cabelos
brancos minha
frívola vaidade
a cidade enorme onde
procuro as
castanheiras
debruçadas nos
muros
longínquos
Adair Carvalhais Júnior
nos pés e goiabas
apodrecendo no
quintal ainda
doce
o rio
atravessando a
janela e muitas
crianças
na rua
a poeira da
estrada nos
olhos de meu
pai minha
pequena solidão
o calor das paredes
remotas desarranjando
meus cabelos
brancos minha
frívola vaidade
a cidade enorme onde
procuro as
castanheiras
debruçadas nos
muros
longínquos
Adair Carvalhais Júnior
domingo, 20 de dezembro de 2009
biografia XXXVII- infância
imersa nos
dias distante feito
oceano arraigada na
areia submersa
nela
mesma
alheia
transbordando dos olhos
forasteira
Adair Carvalhais Júnior
dias distante feito
oceano arraigada na
areia submersa
nela
mesma
alheia
transbordando dos olhos
forasteira
Adair Carvalhais Júnior
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biografia XXXVII- infância
biografia XXXVI- bh
a cidade crescia rápida
demais ao meu
redor onde agora minha
casa meu
cobertor
a cidade subia e
descia toda
hora uma ladeira onde
se escondia o
rio da
minha infância
e perseguia meu corpo
interiorano seus seios
adolescentes seus
quadris suas
praças sempre
vazias onde
murmurava a
poesia
Adair Carvalhais Júnior
demais ao meu
redor onde agora minha
casa meu
cobertor
a cidade subia e
descia toda
hora uma ladeira onde
se escondia o
rio da
minha infância
e perseguia meu corpo
interiorano seus seios
adolescentes seus
quadris suas
praças sempre
vazias onde
murmurava a
poesia
Adair Carvalhais Júnior
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
biografia III - rua
biografia III - rua
pique esconde
futebol
mãe da rua
carrinho de rolimã
bicicleta
primeiros beijos
a vida toda fora
de casa
Adair Carvalhais Júnior
pique esconde
futebol
mãe da rua
carrinho de rolimã
bicicleta
primeiros beijos
a vida toda fora
de casa
Adair Carvalhais Júnior
sábado, 5 de dezembro de 2009
biografia II - família
o velho fusca arrastou estrada
a fora minha
mãe meus
irmãos no
caminhão panelas
mamadeiras o
cachorro nosso
mundo inteiro
a casa confundiu se na
poeira
nunca mais senti o cheiro
branco do
limoeiro do
quintal
a fora minha
mãe meus
irmãos no
caminhão panelas
mamadeiras o
cachorro nosso
mundo inteiro
a casa confundiu se na
poeira
nunca mais senti o cheiro
branco do
limoeiro do
quintal
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
biografia XIV: península
mar era novidade sempre
refeita corpos
quentes largados na
areia
planície de cor
indefinível memória
crua dos
vales
completa ausência silêncio
indevassável esperança das
serras
embrutecidas nossa
única companhia
Adair Carvalhais Júnior
refeita corpos
quentes largados na
areia
planície de cor
indefinível memória
crua dos
vales
completa ausência silêncio
indevassável esperança das
serras
embrutecidas nossa
única companhia
Adair Carvalhais Júnior
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
biografia XV - 43
ainda a mesma
janela o mesmo rio que não
leva pro mar o limoeiro
morto as vastidões sem
sentido os vales ainda
espalhando se
a mesma estrada
esburacada a mãe sozinha o pai sempre
longe os mesmos
sonhos infantis o lote
vago ainda o mesmo
vazio
Adair Carvalhais Júnior
janela o mesmo rio que não
leva pro mar o limoeiro
morto as vastidões sem
sentido os vales ainda
espalhando se
a mesma estrada
esburacada a mãe sozinha o pai sempre
longe os mesmos
sonhos infantis o lote
vago ainda o mesmo
vazio
Adair Carvalhais Júnior
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
biografia XVI - meninos
entre a casa e o
grupo escolar ruas
praças avenidas e
árvores tudo muito
enorme
mas vazio e quase
silencioso
desses silêncios que
carregamos para
sempre
Adair Carvalhais Júnior
grupo escolar ruas
praças avenidas e
árvores tudo muito
enorme
mas vazio e quase
silencioso
desses silêncios que
carregamos para
sempre
Adair Carvalhais Júnior
biografia X – parede
no vale outrora frio e
estrelado em meio às montanhas
dilapidadas distraio meu
corpo minhas mãos
cansadas
da água do
rio do sol sempre
quente guardo só
saudade sempre
inútil
valadares não é sequer um retrato
Adair Carvalhais Júnior
estrelado em meio às montanhas
dilapidadas distraio meu
corpo minhas mãos
cansadas
da água do
rio do sol sempre
quente guardo só
saudade sempre
inútil
valadares não é sequer um retrato
Adair Carvalhais Júnior
biografia VII – estrangeiro
da beira
rio ao rés das
montanhas do calor
ardente aos ventos
do vale frio meu corpo de
menino pronto se
acostumou
minhas retinas úmidas
jamais
Adair Carvalhais Júnior
rio ao rés das
montanhas do calor
ardente aos ventos
do vale frio meu corpo de
menino pronto se
acostumou
minhas retinas úmidas
jamais
Adair Carvalhais Júnior
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biografia VII – estrangeiro
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
biografia VI - pai e mãe
meu pai viajava tão
de manhã que os dias jamais
terminavam longos cheios
de uma enorme solidão onde minha
mãe
se perdeu
ainda hoje não
aprendi como sentir nos
fins de semana a
felicidade
voltar
Adair Carvalhais Júnior
de manhã que os dias jamais
terminavam longos cheios
de uma enorme solidão onde minha
mãe
se perdeu
ainda hoje não
aprendi como sentir nos
fins de semana a
felicidade
voltar
Adair Carvalhais Júnior
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biografia VI - pai e mãe
terça-feira, 17 de novembro de 2009
biografia I - rio
sou da beira
rio das águas que mais de uma
vez solaparam as
margens da
noite
sou do rio e me
repito todos
os dias na demanda
vã
do mar
Adair Carvalhais Júnior
rio das águas que mais de uma
vez solaparam as
margens da
noite
sou do rio e me
repito todos
os dias na demanda
vã
do mar
Adair Carvalhais Júnior
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